| Criado para dar ao Governo Lula a imagem de empreendedorismo, o PAC acabou virando uma grande dor de cabeça para o presidente. Depois de quatro anos de imobilismo, estagnação econômica e flagrantes desvios éticos, a administração petista imaginou ter achado o "ovo de Colombo" ao criar um grande plano de marketing, costurando um pacote que incluiu algumas boas intenções e obras paralisadas, destinado a mudar a imagem de incompetência de gestão que está pregada no atual Governo.
Depois de 100 dias de frases megalomaníacas do presidente, sempre iniciadas pelo infalível "nunca antes neste país...", a equipe do presidente resolveu fazer um balanço da execução do plano. Um fiasco. De última hora, decidiram atrasar em uma semana a apresentação do balanço, na esperança de incorporar números que pudessem dar substância aos mirrados resultados obtidos. Foi um esforço em vão.
O PAC não atingiu as metas. Dos R$ 15,8 bilhões de investimentos prometidos para este ano, só R$ 1,92 bilhão saiu do papel. Parte significativa da expansão do setor de geração de energia está comprometida. Não existe transparência para acompanhamento dos serviços - somente 109 das 1.646 ações previstas no programa tiveram o andamento descrito em detalhes no balanço oficial. O Governo Lula comprovou não ter capacidade administrativa nem para gerir um plano de marketing.
Nós, do PSDB, não comemoramos e nem achamos graça nisto. Pelo contrário! Temos um histórico de serviços prestados ao país, como a estabilização da economia, a criação de políticas sociais sérias, visando a total integração de todos os brasileiros na economia, e a preservação das instituições.
Exercemos agora nosso papel de oposição construtiva, enfatizando a necessidade urgente de medidas que regularizem o investimento privado no desenvolvimento do país, o fortalecimento das agências regulatórias, a ampliação da infra-estrutura, a discussão e aprovação das reformas tributária, política e previdenciária, e a prioridade na Educação e na redução da pobreza, democratizando o acesso de todos a trabalho e renda.
Pena que este Governo não queira o diálogo. Prefere a cooptação à conversação. Troca o debate por negociação de cargos. Tenta calar o Congresso com a construção de um rolo compressor à base de benesses do Executivo. Não aceitamos este nível de relação. Nosso país só sairá do estágio atual de dormência se os ocupantes do Governo perceberem que a sociedade deve ser ouvida, e que o caminho para o crescimento passa pelo diálogo franco e transparente. Nenhum país vive somente de uma máquina de fazer marketing.
José Aníbal
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