| Nenhuma Democracia sobrevive se não for ancorada em instituições fortes e independentes. Os três pilares da República - Executivo, Legislativo e Judiciário - devem dar à sociedade garantias de justiça, ética, transparência e impessoabilidade. Têm que ser instituições perenes, que mantenham sua alta estatura independente de homens e mulheres que por elas passam.
O Brasil acompanhou com muita satisfação a demonstração recente de soberania do Supremo Tribunal Federal, que acolheu as evidências mostradas pela Procuradoria-Geral do Estado e determinou a abertura do processo contra 40 envolvidos no escândalo do mensalão. Foi uma resposta firme para aqueles que acham ser possível usar a máquina pública em benefício de grupos privilegiados.
O Congresso Nacional olha para dentro de si, julgando o presidente do Senado. Mesmo com declarações e atos algumas vezes estranhos aos olhos da sociedade, os senadores travaram uma discussão pública sobre a necessidade de restabelecer princípios éticos no trabalho legislativo.
Falta agora que o Executivo faça sua parte. A submissão da máquina pública a interesses partidários é um dos fatos que fazem com que este poder esteja longe dos anseios da grande maioria dos brasileiros. O envolvimento sem punição de pessoas ligadas ao Gabinete Presidencial com fatos suspeitos, o empreguismo, o aparelhamento político de setores que deveriam ser essencialmente técnicos e a partilha de verbas e cargos para manter a base de apoio no Legislativo são sinais evidentes de que muita coisa deve ser mudada.
Este é o trabalho da oposição. Apontar os problemas e apresentar propostas de soluções. O PSDB tem se esforçado intensamente neste sentido. O partido realiza seminários em que temas importantes são discutidos, como segurança, saúde, educação, políticas sociais, estrutura do Estado, reforma política etc. Este trabalho será apresentado brevemente na forma de um projeto para o país.
Estamos há quatro anos e meio com um governo que não tem este projeto, e ainda mostra um conceito de ética altamente questionável. E por isso perdemos uma oportunidade rara de crescimento da economia, que poderia gerar mais trabalho, renda e uma vida melhor a todos os brasileiros.
Uma postura ética é construída por vários fatores, entre eles a competência. Um governo não pode ser considerado ético se não mostrar também preparo à altura dos desafios de colocar o Brasil novamente na rota do crescimento e da justiça social.
José Aníbal
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