IRRESPONSÁVEL BERNARDO
Pode-se contestar as suposições do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com afirmações verdadeiras sobre os que hoje defendem e votam a favor da CPMF: mensaleiros, corruptos notórios, negociadores de mandato em troca de prebendas - e que prebendas - licenciosamente concedidas por Lula e outras nefastas motivações que nada tem a ver com a saúde pública para a qual se destinaria parte dos recursos da CPMF. Mas isto não seria justo com respeito aqueles (não muitos, é verdade) que na Câmara dos Deputados votaram a favor da CPMF no primeiro turno.

Entretanto, o irresponsável Paulo Bernardo enxerga motivações desestabilizadoras das contas do governo e até mesmo cumplicidade com a sonegação, entre os que votaram contra a CPMF agora. O tutor de Bernardo, Palocci, disse em 1999 que "quanto a CPMF, não me convenço de sua necessidade nem de que possa ter algum caráter positivo". Claro que todos podemos mudar e sermos portadores das melhores motivações na mudança. Mas os petistas/lulistas são os piores oportunistas de nossa história política. Votaram contra a CPMF na oposição porque queriam o quanto pior melhor.

Agora, recusam-se a uma discussão sensata sobre a CPMF e a possibilidade de sua extinção. O excesso de arrecadação do governo neste ano, o aumento de 24 para 25% do naco da carga tributária que cabe ao governo federal, a importância de iniciar a desoneração através de um tributo que gera bitributação, o fato de 20% da CPMF ir para a redução do déficit público e outras razões mais, nada disso motivou o governo a um debate de conteúdo sobre a contribuição.

Na verdade, a inépcia, a incompetência, o desperdício, o aparelhamento e empreguismo, as negociatas com outros partidos, estão na raiz do pânico petista/lulista diante da idéia de ter que fazer uma melhor gestão do dinheiro público, com foco em políticas que efetivamente melhorem a vida população: saúde, educação, saneamento. Eles tremem diante da possiblidade de não ter a CPMF. E não é por causa da saúde ou bolsa família. É porque estão construíndo um sistema de poder que se baseia no que há de pior na nossa vida pública e tem um custo que pode, este sim, comprometer o equilíbrio das contas públicas e voltar a nos fazer conviver com o fantasma da inflação, como denunciou o IPEA na semana passada.

José Aníbal

25/9/2007/

 






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