| O Supremo Tribunal Federal pode tomar nesta semana uma decisão histórica para a moralização da política brasileira. Será julgada a possibilidade de cassação dos mandatos dos parlamentares que trocaram de partido após a eleição. Ou seja, daqueles que se elegeram fazendo um discurso ao eleitor, e que mudaram de lado ao ouvirem os cantos de sereia do Governo Lula.
O exercício pleno da Democracia prevê a existência de partidos com princípios programáticos sólidos. Somente com partidos que tenham clareza de projetos e propostas para o país será possível ao eleitor indicar com discernimento seus representantes no Executivo e no Legislativo. E aqui se coloca também a questão, que vamos abordar noutra ocasião, da coerência entre o que os partidos defendem nas campanhas e o que fazem no governo. A idéia de que se ganha eleição com um programa e se governa com outro, desmoraliza a relevância do programa no compromisso do partido com o eleitor, como tem feito o PT. Aí fica só o projeto de poder, o aparelhamento, enfim, o partido da boquinha como já foi dito do PT.
O que vemos hoje é a transformação dos mandatos eletivos em mercadorias expostas em balcão de negócios para um cliente disposto a todos os investimentos para conseguir ampliar sua base de apoio. Este cliente é o Governo Lula, que não faz o menor esforço para esconder esta prática. Nunca antes na história deste país viu-se a prática do troca-troca ser exercida com tamanho descaramento no Congresso.
Isto faz com que o povo perca o respeito pelos políticos. O que não é justo com os parlamentares sérios, que existem em número expressivo, mas são injustiçados no mar de lama em que se transformou o noticiário político. Uma decisão do STF em favor da coerência política e da fidelidade partidária será um importante passo para que o Brasil caminhe na recuperação da credibilidade de suas instituições.
José Aníbal
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